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Há utopias sonhadas e utopias tentadas. Umas assumem feições políticas, outras se mantém no terreno da religião. Algumas são apenas sonhos de filósofos, que jamais saem do papel. Nesse rol alinhamos as Utopias renascentistas de Thomas Morus e Cidade Mágica do Sol, de Tommaso Campannela.

A Maçonaria é uma utopia filosófica e seus cultores, não raras vezes, tem influenciado na vida prática dos povos. Seu envolvimento com a política é muito mais estreito do que com a religião, embora muitas vezes seja confundida com uma, justamente pelo fato de incorporar em seus catecismos diversos motivos temáticos e litúrgicos inspirados por seitas religiosas, algumas inclusive, anteriores ao Cristianismo.

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Uma das seitas que muito influenciaram a Maçonaria, em sua face espiritualista, foi a seita dos essênios, cuja organização, estrutura, doutrina e prática de vida a coloca na categoria de uma utopia politico/religiosa.

 

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Os essênios constituíam uma comunidade místico-religiosa formada por iniciados nos mistérios da religião hebraica. Seus membros acreditavam ser detentores do verdadeiro conhecimento sagrado, aquela sabedoria que Deus comunicara aos primeiros homens e que desaparecera da terra após o dilúvio. Muitos escritores de orientação espiritualista os fazem herdeiros dos atlantes, atribuindo-lhes diversos conhecimentos iniciáticos, que a eles teriam sido repassados por mestres egípcios.

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Duas das tradições legadas pelos essênios á História do pensamento místico, tradições estas que são aproveitadas no simbolismo maçônico de vários graus superiores, são a idéia do Homem Universal e o mistério ligado ao verdadeiro significado do Nome de Deus. Tanto a mística do Filho de Deus que se faz Filho do Homem para redimir a humanidade pecadora, quanto o poder que se encerra no Inefável Nome de Deus foram tradições desenvolvidas pela doutrina essênia e repassadas á tradição da Cabala. Pela Cabala elas entraram na Maçonaria e  tornaram-se simbolismos utilizados para veicular ensinamentos morais no catecismo das Lojas de Perfeição e Capitulares, e nos graus filosóficos das Lojas do Kadosh.[1]

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QUEM ERAM OS ESSÊNIOS

Entre os judeus, os essênios podem ser considerados uma espécie de sociedade secreta, de caráter religioso, cujos membros discordavam da orientação imprimida á sua religião. Formando uma verdadeira Fraternidade, eles se afastaram do convívio social e desenvolveram uma espécie muito particular de comunidade, que na verdade, tinha um objetivo bem definido: preparar uma nova sociedade de eleitos de Deus, que seria a herdeira da Nova Aliança, quando o Messias viesse ao mundo.

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Nesse sentido, eles desenvolveram um complexo sistema religioso de cerimônias de iniciação, semelhante ao das seitas iniciáticas do antigo Egito e da Grécia Clássica. Exigiam juramentos solenes de obrigações fraternas e um estrito silêncio sobre suas práticas, crenças e tradições, ao mesmo tempo que inculcavam na cabeça de seus adeptos uma filosofia de vida que muito se aproximava das seitas ascéticas da época, particularmente os cristãos.

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As pesquisas mais recentes sobre os documentos essênios encontrados em Qumrân, localidade próxima ao Mar Morto, em 1948, revelaram que suas doutrinas tinham uma grande semelhança com aquelas pregadas por Jesus, o que levou muito autores a considerá-los como inspiradores dos cristãos.

A idéia que se fazia dos essênios, a partir de informações extraídas de escritores antigos, como Philo de Alexandria, por exemplo, que já no século I da era cristã confessava a influência que deles teria recebido, era a de que eles constituíam uma comunidade de magos, grandes conhecedores de segredos da natureza, detentores de uma sabedoria muitas vezes milenária, oriunda, talvez, de uma civilização desaparecida.

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Por força de tais informações, os essênios sempre foram envolvidos por uma aura de misticismo e mistério. Porém, com as descoberta dos pergaminhos do Mar Morto, uma nova luz foi lançada sobre essa interessante comunidade, que sobreviveu por mais de dois séculos em condições políticas muito adversas, graças á prática de um tipo muito peculiar de Irmandade.

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SÍNTESE HISTÓRICA

A comunidade essênia foi fundada por um personagem misterioso, referido na sua literatura ora como Mestre Perfeito, ora como Mestre Verdadeiro. Não se sabe quem foi realmente esse personagem singular, mas acredita-se que tenha sido um sacerdote levita, que revoltado com a corrupção do clero israelita da época, (início do século II a. C.), retirou-se para a clandestinidade, arrastando com ele um vasto contingente de seguidores, insatisfeitos com os rumos que a religião vinha tomando em Israel.

Uma ligeira síntese histórica ajuda a fazer uma idéia daqueles tempos. No século II a C., Israel fazia parte do chamado mundo helênico, pois desde o século IV a C. a Palestina tinha sido incorporada ao império persa, o qual por sua vez, fora conquistado por Alexandre Magno entre 326 e 323 a C.

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Após a morte de Alexandre, seu império foi dividido entre seus generais. A parte correspondente á Síria e Palestina ficou com Antioco, que estabeleceu a sede de seu governo na Síria. Por volta do início do século II a C. reinava na Síria um de seus descendentes, chamado Antioco Epifanes.

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O historiador Flávio Josefo nos dá uma idéia do ambiente que reinava em Israel naquela época. Naquele tempo Israel era governado por uma casta sacerdotal, que além de orientar os rumos da sua política, também era responsável pela manutenção da pureza da religião de Israel. Mas essa casta só se preocupava em manter seus privilégios, submetendo-se ás pressões e influências estrangeiras, permitindo a opressão politica e econômica do povo e tolerando que sua religião fosse contaminada pela idolatria dos cultos gregos e egípcios, que os exércitos de Alexandre haviam espalhado por todo o Oriente.[2]

 

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Os israelitas sempre foram muito ciosos a respeito de sua religião. Muitos preferiam morrer a adorar ídolos estrangeiros ou violar os preceitos da Torá. Essa situação, que existiu durante toda a época da dominação helênica, e se prolongou durante a ocupação romana, não raramente ensejava motivos para a eclosão de sangrentas revoltas.

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Durante a época de Jesus, essa situação não se modificara, como se pode perceber no seu magistério. Jesus fazia ferrenha oposição á classe sacerdotal da sua época, conforme se lê nos Evangelhos. Essa classe, composta pelos escribas, fariseus e saduceus, interpretava a lei em seu próprio beneficio e lançava sobre os ombros do povo cargas insuportáveis, “que nem com um dedo queriam levantar”, como ele dizia.

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Na verdade, os escribas e fariseus que “se sentavam” na cadeira de Moisés e lançavam “cargas insuportáveis” sobre os ombros do povo, faziam parte de uma classe que, desde a conquista helênica, preferira se aliar aos dominadores ao invés de defender suas próprias crenças e tradições. Com isso não concordavam os “puristas”, os ortodoxos, os cultores da idéia de uma religião isenta de qualquer influência pagã.  Esses “puristas” julgavam ser o culto á deuses estrangeiros, a maior das ofensas que se podia fazer a Jeová. Entre esses grupos de puristas, estavam os zelotes e os essênios.

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O MESTRE VERDADEIRO

Um desses homens “puros” foi, sem dúvida, o chamado Mestre Verdadeiro, que fundou a comunidade essênia. No inicio do século II a C., o sacerdócio era exercido pela família de Matatias, um rabino da tribo de Levi, famoso por suas posições de defesa intransigente da lei mosaica. O rei sírio Antioco Epifanes, desejando quebrar a resistência israelita, quis implantar em Israel o culto a Zeus Olímpico. Com essa intenção, invadiu o santuário do Templo de Salomão em Jerusalém, colocando no altar do Santo dos Santos uma estátua daquele deus. Os israelitas não suportaram a violação do mais sagrado dos seus locais, e comandados por Judas, o filho mais velho do sacerdote Matatias, iniciaram a rebelião que ficou conhecida como a Revolta dos Macabeus.[3]

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Foi durante a Revolta dos Macabeus que um grupo de israelitas ortodoxos fugiu de Israel e se instalou na chamada “Terra de Damasco”. Liderados pelo chamado Mestre Verdadeiro (talvez o próprio Matatias, ou ainda um dos filhos), sua intenção era praticar a verdadeira religião de Israel, na sua pureza primitiva.[4]

O Mestre Verdadeiro, além de líder de invulgar talento, revelou-se profeta, legislador e poeta de excelente qualidade, a se julgar pelos hinos que compôs.

Durante todo o período de dominação helênica, o núcleo de reação judaica se concentrou em dois grupos: Os essênios e os zelotes. Quanto aos zelotes, o interesse para este estudo é secundário, tendo em vista que eles permaneceram principalmente no terreno militar. Foram eles, inclusive, que forneceram os combatentes que, nos anos 67-70 d.C., sustentaram uma guerra sem quartel contra as tropas romanas.

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ESSÊNIOSos essênios, conforme se percebe na literatura recuperada através dos pergaminhos do Mar Morto, pregavam uma resistência ora política, ora espiritual. Essa resistência estava sempre conexa com a idéia de um herói, um Messias, que libertaria Israel do domínio estrangeiro e renovaria a Aliança daquele povo com Deus.

Chamando-se a si mesmos de “convertidos, penitentes, pobres, justos, santos, eleitos, etc”, os essênios diziam que o seu grupo era a verdadeira Israel, aquela nação cujo modelo Deus teria transmitido a Abraão como grupo e realizado através de Moisés como nação. Acreditavam que por ocasião da fuga dos israelitas do Egito, Deus teria transmitido a Moisés a verdadeira sabedoria, a qual ele teria depositado na Arca da Aliança, segredos esse que Moisés não revelou no Pentateuco, mas transmitiu oralmente aos sacerdotes mais antigos da tribo de Levi.[5] Esse era um dos segredos que os essênios julgavam-se depositários, e por conta dessa sabedoria eram capazes de realizar muitos prodígios, inclusive curas milagrosas e intervenções nos poderes da natureza.[6]

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Acreditando que a maioria dos ensinamentos bíblicos havia sido escrito em código, eles desenvolveram uma interessante forma de interpretação do Livro Sagrado, que certamente deve ter servido de inspiração para os rabinos que desenvolveram a grande tradição da Cabala.

Fonte: http://omalhete.blogspot.com.br/2015/06/nossos-irmaos-os-essenios.html

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